Monday, June 27, 2016

a nossa história - parte 2

Mas mais importante és tu e o nosso jogo das cadeiras. O nosso braço de ferro em stand-by porque cada um fazia força para o seu lado.

Já nos conhecemos há muito tempo. No tempo em que ainda nenhum de nós sabia bem o que era (se é que agora já sabemos…) passávamos algum tempo juntos. Não tinha grande tempo para programar o que fazer e o que dizer, era quase obrigatoriamente espontânea, e dedicava o mínimo de tempo a pensar na minha imagem. Contigo fui o mais simples possível (...) . Vias-me conforme eu estivesse, não tinha desculpas nem como me escapulir, viste-me sempre assim como o dia me fazia. Como eu já disse, nunca fui de fantasiar coisas, mas sentia-me bem contigo e achava que tu sentias o mesmo. Riamo-nos muito juntos e lembro-me que adorava ouvir-te falar, ficava fascinada com o teu espírito crítico e com as coisas que sabias, com a tua intensidade quando discutias alguma coisa, e admirava muito isso em ti, até porque eu tinha a intensidade mas faltavam-me os argumentos e o conhecimento dos assuntos. Um dia começaram-me a dizer que eu era a tua princesinha, que se via nos teus olhos que gostavas muito de mim e que devíamos ficar juntos. E depois começaste tu a chamar-me a tua princesa, e a brincar comigo por isso. Comecei a sentir o coração mais quente e não conseguia evitar a maneira como te olhava; sentia os olhos a brilhar mas não tinha a certeza se conseguias ver.

Até que (...) tudo começou a ser diferente, já não via o teu sorriso e sentia falta das coisas que dizias e de como me tratavas. Às vezes falávamos mas não tantas vezes assim, mas quem te conhecia dizia que ainda era a tua princesinha. (...)

Só agora ao escrever a nossa história é que me apercebi que realmente és muito importante para mim e que gosto de ti de uma maneira especial e que nunca deixei de gostar. É claro que, ao longo destes 3 anos, tive muitas e outras histórias pelo meio, e tive momentos em que tu não estavas tão presente em mim – e que pura e simplesmente passavas ao lado, mas o que te distingue dessas outras histórias é que a tua tem um fio condutor e que passa por cima de todos esses obstáculos ocasionais sem se deteriorar. Como eu gostei sempre de imaginar, tínhamos um amor platónico, no qual da tua parte era mais a minha imaginação que outra coisa, era assim que eu tinha noção.

Ao longo deste último ano o nosso contacto já era quase nada, houve realmente a altura da queima em que falámos a semana inteira e nas semanas seguintes também, mas nada de muito concreto ou comprometedor. Falamos como sempre falámos, descontraídos e simultaneamente misteriosos, e pusemos a conversa em dia. No fim do Verão voltámo-nos a ver num festival, um encontro imprevisível que se desenrolou de forma mais imprevisível ainda. Não me lembro como cruzámos as conversas e entrelaçámos as respostas mas o que é certo é que me apercebi que tudo aquilo que eu tinha imaginado um dia, era verdade. Eu era um bocadinho mais do que a tua simples princesa e os olhares eram um bocadinho mais do que desafios. Sempre viste para além daquilo que mostrava e sem eu fazer um único esforço, tu gostaste, algo que eu nunca entendi porque nunca sequer me expus a tanto para tirar conclusões dessas. Vês-me como eu sei que sou exactamente, apesar de ter uma carapaça dura tenho um coração mole e apesar de emanar festa não é isso que me define.

E ficámos à volta de 4 horas numa conversa sem sentido nem rumo, eu chorava sem te entender, tu ficaste aflito e eu ainda mais porque nunca chorei em frente a um rapaz (ainda por cima também por ele mesmo), e lembro-me que fizeste de tudo para que eu me sentisse bem. Seguiste a tua vida e isso está certo (só não sei é quando é que isso aconteceu, nem tu me avisaste) e eu fiquei aqui suspensa (não à tua espera), mas só depois de não haver hipótese entre os dois é que sabemos que poderia ter havido. Foi difícil assimilar isso, ainda por cima estava já numa fase em baixo devido à tal pessoa que me marcou e a outros factores, por isso ainda mais difícil se tornou. Uma noite que podia ter sido tão divertida foi tão dramática. Mas o que é certo é que foi marcante. E por mais confuso que tenha sido, hoje sei que foi bom saber o que soube. A partir daí mantivemos um maior contacto, a conversa fez-nos perceber que apesar de tudo éramos amigos e não queríamos perder isso.

Á cerca de dois meses voltei a encontrar-te. Começámos uma conversa casual, com os mesmos temas de sempre, a mesma intimidade que nos caracteriza, sem tocarmos no ‘nosso’ assunto. Eu sei que tens namorada – e era o que te dizia. Daí surgiu pano para mangas para desenvolvermos a conversa que já tínhamos tido. Afinal não é só assim que me vês, já é de uma forma mais especial à que eu sabia, e sempre fui importante para ti. Esta segunda conversa foi igualmente grande, eu disse-te: tu tens muito jeito para enrolar e continuar a falar mas agora nada adianta, já é assim não podemos fazer nada para mudar, tenho pena que assim seja porque podíamos ter outro destino. Tu concordas e dizes que vais fazer uma coisa que sempre quiseste mas não podias fazer… e dás-me um beijo. Fiquei tão petrificada que não soube o que dizer. Fiz uma cara de espanto e de desorientada e sem me aperceber soltei uma lágrima. Dizes-me logo que não, não foi esse o teu objectivo, mas então o que estamos a fazer?isto não leva a lado nenhum! Incrível como foi sempre um desejo secreto meu, d’antes imaginava que me desses um beijo mas no íntimo soube sempre que era irrealizável – e não o foi, só não foi realizado como idealizado e como deveria ter sido. Dizes-me que não te arrependes, eu também não, mas não mudou nada nem esclareceu nada, já sabia que iríamos encaixar de forma linda e rara, e que meio minuto assim contigo já me sentiria nas nuvens, foi um momento que me faz querer mais e que serviu para acrescentar à nossa história. Depois dessa noite passaste a falar-me quase todas as semanas, acho que querias ter a certeza que eu não me esquecia que gostavas muito de mim e que querias saber de mim, mas que não poderia ser de outra forma senão aquela.

E agora quando te encontrei outra vez, sinto que temos uma ligação tão forte! A maneira como me falas e como me tocas, sempre carinhoso e preocupado, sobretudo protector. Sei que me tens um carinho especial e adoro quando o mostras, adoro estar contigo e falar contigo, adoro quando me contas os teus planos de vida e os teus sonhos, já sabes que te apoio, e tudo porque te acho verdadeiramente capaz de fazeres o que quiseres com a tua vida, porque te vejo como uma pessoa que luta por aquilo que quer e que além de tudo se interessa por coisas importantes. És uma pessoa que me inspira e só de estar contigo já fico bem disposta, és tão especial e ao mesmo tempo tão simples, tão mundano. Deixo para segundo plano o facto de ter aquele especial interesse em ti porque gosto quando me rodeias, e não quero deixar de estar contigo por nada. Sei que não te amo mas o que sinto por ti é a coisa mais pura que já senti por alguém, porque criei uma ligação fortíssima e tive um único e simples contacto físico contigo (ainda por cima no final de tudo isto, o que contraria o que sempre me aconteceu, pois o físico era precisamente a base das relações que tinha antes) e porque quando penso em ti penso sempre em como me fazes sentir.

Contigo apercebo-me o que pode ser o amor, e acredito que se fosse a nossa altura, de estarmos juntos, eu iria finalmente saber o que ele é. Mas por agora deixo de lado esta nossa parte amorosa e concentro-me na nossa amizade. Delicio-me com a possibilidade de deixar esta história em aberto, e, quem sabe, mais tarde completá-la.



Tudo na natureza me convida a ser folha perene, para sempre ingénita, para sempre feliz.

Tuesday, October 21, 2014

a nossa história - parte 1

É fora do comum como é que passado tanto tempo do que se passou entre nós eu ainda não escrevi nada. Eu acho que é porque não sei o que pensar sequer; se já pensei e não tirei nenhuma conclusão ou se ainda nem pensei porque acho melhor assim.

A verdade é que sempre fomos o jogo das cadeiras. A música tocava e estávamos nós a volta do óbvio, quando a música parava tentávamo-nos sentar, sempre separados, em locais diferentes. Não sabia ao certo se a música era a mesma para os dois ou até se parava ao mesmo segundo, mas gostava de imaginar que sim.

As raparigas têm muitas fantasias e imaginam sempre significados ocultos naquilo que mais simples e objectivo não poderia ser. Eu por acaso sempre fui das que menos sonhava com grandes paixões, nunca via muita utilidade para isso nem queria perder tempo de diversão para me dedicar a problemas amorosos. Por isso sempre tive uma tendência para ser mais objectiva no que toca a flirts, mais directa também, o que me fazia perder menos tempo, e ao mesmo tempo ser menos afectiva.

Ainda não percebi porque é que sempre que tive ‘relações’ não me entreguei de coração, pois nunca tive problemas no que toca ao elemento físico que cria a faísca nas paixões, mas chegava ao momento de eu realmente sentir alguma coisa e sentia umas saudades que doíam (não vou mentir), sentia-me triste e sozinha e principalmente carente. Mas vim aprendendo ao longo do tempo que isso de nada representa o amor, eram situações que se resolviam com um novo interesse ou troca de mensagens, um novo conhecimento ou um caso fugaz, enquanto que um amor dura a curar. Nunca me cheguei a afeiçoar a ninguém verdadeiramente; nunca deixei de ser carinhosa porque naturalmente o sou, mas não por razões de genuíno interesse noutra pessoa, apenas por me sentir bem na companhia dela. Sempre compreendi o amor e sempre gostei de o utilizar para embelezar os meus escritos mas o que sabia dele era em abstracto e nunca o senti na pele, palpitando nas minhas veias. Posso imaginar como se sente quem é vítima dele mas na realidade não o conheço. Conheço o amor, na minha experiência pessoal, na sua vertente de amizade, e aí conheci um verdadeiro sofrimento e interesse pelas pessoas, um medo de as perder, um instinto protector e por vezes até maternal, e conheci a entrega de mim mesma, sem medo de ser quem sou com todas as componentes subliminares e subjectivas que me constroem. Mas em relação a um rapaz com quem me partilhava, a partilha terminava no campo visual: aquilo que sou, aquilo que me compõe, o que transmito ser e o que aparento. Nunca fiz questão de contar os meus sonhos e os meus projectos íntimos, os meus textos e os meus pensamentos mais pessoais, o meu lado que se esconde por detrás daquele meu que mais alicia e mais sobressai, o meu lado estúpido e brincalhão, o meu lado divertido.

E com o passar do tempo esse abismo entre os meus dois lados tendeu a crescer, com quem tinha alguma coisa (mesmo não sendo substancial), ficava-me a conhecer tal e qual como eu me apresento e, dessa forma, objectiva, talvez provocadora, despreocupada, divertida e não propriamente sentimental.

(to be continued...)

Thursday, November 03, 2011

Estou demasiado presa à terra. Demasiado séria, demasiado quotidiana, demasiado triste. Nada me espanta a alma e nada me faz querer bater a porta de casa em busca de algo que não seja tão mundano, não seja tão eu. Nada me faz querer quebrar o feitiço que a televisão me lançou e nada me grita para que sossegue o meu inconsciente de que a cada dia que passa dou um passo para incapacitar cada vez mais uma miúda de 19 anos e o seu talento para viver.
Não sei quem sou mas tirei-lhe as folhas e as canetas a quem ela se confessava e com quem ela confiava dia sim dia não, tirei-lhe o alento de viver e a fome de dominar o mundo, a natureza e as pessoas.

Na maior parte das vezes esqueço-me que alimento outro corpo e enveneno outra alma, sei que cá não pertenço mas não vislumbro a saída ou a alternativa.
Mas às vezes, acordo-a, ela estremunhada,
esteve adormecida, anestesiada,
consciência dormente,
coração já não quente,
fragmentada em pedaços,
já perdida, não sabe regressar aos seus passos,
não tem noção do tempo nem do espaço.
Sabe-se desaproveitada,
e vê-se espelhada
num verdadeiro fracasso,
um erro crasso,
o sapato da cinderela,
a arte sem uma tela,
a cura de uma doença,
um criminoso sem sentença,
algo precioso mas sem reconhecimento,
um furacão sem vento,
um desperdiçado talento,
um diamante em bruto,
um inteligente mas inculto.
Meio talento, meio nada,
meio pó, meio pó-de-fada,
meia lágrima na almofada,
que sabe que algo se perdeu mas não sabe o quê.
Perdi metade de mim,
já só restam as folhas do jardim,
e secas, sem encanto assim.
Pretendo ter volta a dar mas a volta é dada a mim,
e o pior é que é dada por mim mesma,
e depois de escrita uma resma,
prometo que tentei de tudo para regressar a mim,
à sonhadora sem fim,
à criadora do que quiser,
à criança virada mulher.

Volto à irresponsável, mas sobretudo V I V A , eu.

Carta a Fernando

Fernando, se cá estivesses não sei se falava contigo até me falharem as palavras ou se ficava no silêncio a trocar ideias mudas. Sei que és a pessoa mais igual a mim do que qualquer outro humano. O que pensas é o que sinto e o que escreves é a minha dor. Sou fragmentada como tu e quando me olho ao espelho é um fascinante teatro.


Dependo do dia e das horas,
do mundo mas não das modas,
do sol e do vento :
do clima e do tempo.

Refaço-me espontaneamente,
já sou outra quando dou por ela!
acontece-me constantemente,
estou livre e numa cela.
É bom ser muitas pessoas,
ao mesmo tempo não sei quem sou,
tenho memórias más e boas,
estou perdida e simultaneamente não estou.

Quero conhecer as minhas verdadeiras cores,
mas quando as sei já não as tenho,
tenho prazeres e dissabores,
o meu mundo é muito estranho.

Gostava que me explicasses como te resignaste assim,
porque me acontece o mesmo a mim,
e eu não sei lidar comigo,
nem me traçar um auto-retrato...

A verdade é que também não lidaste bem,
e ficaste maluco também,
mas sabes?, não te censuro,
porque foi apenas um muro,
uma parede que construíste,
para te isolares, porque ninguém te entende,
diz-me o meu coração (e ele não mente).

Mas pensando bem, tu criaste vidas para cada pedaço da tua alma,
e assim tornou-se impossível junta-los pois estavam tal apartados uns dos outros.
Foi a tua sentença e ruína.

Não quero o mesmo fim que tu, queria tentar unir os meus fragmentos e remendá-los só, de forma a não ser uma pessoa colectiva mas nem tanto singular, sem ambígua e irregular mas pelo menos conhecer-me.

Auto-biografia

Doi-me a consciência de saber que não sou o que faço, nem tão pouco faço aquilo que sou. Arde-me a testa e murmuro em voz baixa que nem sei que parte de mim estarei a ser. Fragmento-me pois quero ir a fundo numa ideia, e quando penso já tenho outra luta a travar. Sou diletante porque penso, e como penso quero tudo, e como tudo eu quero, sou consumista. Revolto-me contra mim mesma e quero rasgar a pele que me cobre. Quero ser cobra que despe a cobertura quando já não se coaduna com o interior, mas o que a envolve é sempre uno, único, coerente e consistente do início ao fim.
Não consigo ser eu mesma a todo o momento. Perco-me em pensamentos e junto e guardo todos, e assim nunca a coesão me representa. Não quero pensar porque fico só, mas estou sózinha porque ninguém me entende, nem eu mesma.

***

Não sei quando irei encontrar calmaria nestas àguas furtadas, nem repouso neste vaivém. Anseio pelo sossego e estabilidade mas não sei até que ponto os desejo mesmo. Toda eu sou agitação e vida e é-me dificil ancorar à terra. Não sei até quando posso viver por isso vivo sem horizonte só para disfrutar ao máximo. O meu problema é que quero tudo à minha disposição, mas nada para utilizar.

Deixo-me pelas palavras e vou,
dedico-me ás acções e fico,
grita o meu insconsciente, aflito,
quem sou eu?, se nem sei quem sou.

Não sei o que faço e o que penso não sei,
mergulho em pensamentos, mas quem eu serei?,
entristeço-me comigo porque o que penso não faço,
e o que faço nem medito um pedaço.

Não amo nada mas sei que quero tudo amar,
só adormecida sou eu mesma por isso não quero acordar.

Não quero ser conservadora nem demasiado liberal,
nem demasiado diferente nem igual,
quero ser dois extremos e nunca um centro,
nem distante do mundo mas também não tão dentro.

Sou eu própria antagónica e não me compreendo,
eu esforço-me por isso e tento,
mas os meus eu's trocam-se ao sabor do vento,
e eu não vou acompanhando nem vendo.

Quero mudar o mundo, mas não tenho forças para me mudar a mim...

Friday, June 17, 2011

Balanço espiritual

Não vives, porque tentas mais recortar os sentimentos e torná-los perfeitos do que desfrutar o momento. Não procures a perfeição mas alicia-te com o precipício das sensações e lança-te à vida sem ideias pré concebidas.

Interessa-te por pessoas e não te agarres à tua beleza nem ao teu umbigo, faz por agradar os outros e torna o teu dia lindo pela simples apreciação de sorrisos. Sorri e faz sorrir, descobre outros mundos e até mesmo o teu, desfaz-te do corpo e eleva o espírito e a mente. É tão triste ser-se tão objectivo e centrar todas as atenções em tudo o que envolve a aparência, devemos todos ser subjectivos e entender o que vemos como uma simples presença física que nos faz companhia em viagens espirituais e diálogos diversificados.

Interessa-te por algo que tenha uma meta ou pelo menos um caminho traçado, pois tudo o que agrada à visão é momentâneo e só algo que envolva movimentos mentais é que causa uma verdadeira dependência e encanto.

***

Às vezes sinto vontade de ser um mero conjunto de partículas, um qualquer aglomerado sem traços físicos que me sublinhem e me contornem. Assim tudo o que em mim transparecia é tudo o que eu sou por dentro e todas as pessoas diferentes de mim mas que em mim coabitam, e que me compõem. Poder ser um sorriso sem ter que mexer os lábios ou brilhar a todo o momento com o meu simples recheio. Devíamos ser todos indistintos e marcar a diferença pelas paixões e interesses que temos e nunca pelo rótulo que nos dão.

O meu corpo é a prisão da mente, as amarras que não a deixam ser livre, e o travão de toda a minha fogosidade, intensidade e interioridade.

Friday, October 08, 2010

Tinha mais um lugar na cama. E não era um lugar a mais, porque o reservei para ti. Mesmo quando não vinhas conseguias-me aquecer, porque eu sabia que estavas por perto e que o lugar era teu. Hoje não passa de um espaço livre na minha cama : uma almofada a mais e mais uma zona fria onde não entram os meus pés. Não sei porquê mas deixaste de vir. A almofada voltou a estar imaculada e os lençóis já não amarrotam tanto. Por mais que olhe para o lado jamais pensarei que estás a meu caminho para me enroscares a ti e me embalares e sussurrares enquanto adormeço. O meu coração está tal e qual a minha cama : a meio; e a cada lágrima que foge sinto mais um troço dele a cair. Não aguento esta solidão mas não voltas, tento sonhar-te mas fica ainda mais doloroso, tento esquecer-te mas não posso porque sei que me queres, tento amar-te e é só o que consigo mesmo estando a arrancar pedaços do meu coração.

Sunday, June 13, 2010

Meaning of life

Quero expôr o meu mundo interior e fazer dele uma aldeia, uma vila. Quero projectá-lo nesta tela enorme e redonda que é o planeta e habitá-la de todos os tipos de seres.
Que me importa o formato ou a cor das criaturas?
Quero impregná-las de sensações fantásticas e de pensamentos distintos, quero emocionar-me com as interacções entre elas e vê-las qual teatro à minha frente, e com tal vivacidade que esse mundo que saiu volte a invadir-me o espírito e a baloiçar tudo cá dentro!
Mais que tudo, quero realmente que esse mundo seja o futuro. E não me importo que não seja o meu futuro, se for o de alguém!
Quero que o futuro possua vidas cheias, e não apenas simulações mecânicas e pré-fabricadas. Quero sentimentos em forma de flores e até notas musicais a rodopiarem à minha volta, corações a apertarem-me e a encherem-me de calor e frio, dúvidas e certezas!
Quero sonhos, e que os sonhos sejam as vidas, e que os sonhos e ambições não sejam palpáveis!

(...)
Delicio-me com a forma como prestas culto ao meu corpo e como o mimas com leveza dentro dessa excitação e loucura que sentes quando o vislumbras. É de porcelana e por isso não o deixas cair, é de barro por isso usas as mãos para o moldar ao teu gosto e gesto.
Sublinhas os meus contornos e desenhas a minha silhueta com os teus palmos. E vão preenchendo e colorindo a minha figura à medida que se afastam dos limites para o centro, como se toda eu fosse uma criação tua, ou pelo menos fosse feita para encaixar nos teus membros superiores.

Devaneios

Ao longe ouço o correr da àgua da cascata. Prendo os meus ouvidos e ensino-os a morder as sensações. Não quero perder este som nem vai cair no esquecimento. Agora é meu e moldo-o como quero.
Ao longe e mal, mas vejo o escorregar relutante da àgua da cascata. O rumo já traçado puxa-a e obriga-a. Toda a imagem me tranquiliza e quero vive-la até não-mais. Estas carícias que a minha mãe natureza me dá fazem-me sentir no topo da cascata.
Num alucinar, caio de chapa ao rio que me toma como dele, corro pela floresta que me é a melhor cidade de todas.

Thursday, February 11, 2010

Eu, Pessoa - "Tudo o que faço ou medito"

" Tudo o que faço ou medito
fica sempre pela metade ",
elevo o espírito e a vontade,
mas o labirinto é infinito.

O desejo é utópico,
e a escada cansa,
a luta continua
e a vida avança.

O corpo progride, a alma estagna,
nem com trabalho e esforço
alcançamos o inalcansável.
O que tenho não gosto,
o que tenho é o palpável.

Não há transposição para o real.
Imagino, crio,
e tudo se esvaece por entre os dedos, por entre o sal
das minhas lágrimas que formam um rio.

Sonho, penso,
um universo denso
transforma-se em átomo desconhecido,
um nada, sem nexo, sem sentido,
quando o exponho, na verdade.

"Tudo o que faço ou medito,
fica sempre pela metade,
querendo, quero o infinito,
fazendo, nada é verdade."

Friday, November 13, 2009

À descoberta de mim

Reparo na garrafa : está a meio.
De cada vez que volto a encher o copo, está mais vazia, até que acaba. Tento criar um espelho com o copo e observo-me. Esta imagem desfocada e turva que me representa é também o meu auto-retrato psicológico. Quem era eu antes desta garrafa chegar ao fim e quem sou eu depois de a beber?
O meu cérebro borbulha neste líquido e o meu espírito dança com ele. Mas se não o bebesse, estaria eu à conversa com a solidão? Chorando as minhas mágoas e contando-lhe que não faço sentido? Quem sou eu, agora que ninguém me ama? Depois de uma infância perdida e agora, no fim da fase adulta, para que sirvo?
Baralho os meus pensamentos e tropeço nas palavras do meu monólogo. Afogo-me no alcoól que me consome e apago a angústia que tenho em não me saber, e fico só com a dúvida.

Thursday, November 12, 2009

Amor sujo ?!

Abres-me as portas vazias da experiência,
vazias dum conhecimento que nem queres ter.
Vens, vais, regressas a mim e integras a minha alma,
cospes sentimentos e divagas: expeles emoções.
Sei que não me amas; é-te indiferente.
Mas voltas ao murmúrio das palavras e dizes "amo-te";
adoptas o que sinto e tomas como religião, sem teres fé.
Corrompes o meu espírito e atiras-me proposições de amor.

Serei céptica ao duvidar que me queres,
serei injusta ao saber e não que é mentira?

Thursday, June 25, 2009

Relembrando ontem à noite lembro-me de pequenas sensações.
Lembro-me de me encostares a ti e encostares os teus lábios aos meus, e de ficarmos assim, eternamente. Lembro-me que me puxaste para ti só com uma mão posta nas minhas costas e fechaste os olhos para me beijares.
Vá, torna-te em mim. Toma-me como tua. Aspira-me as entranhas e consome-me por dentro. Suga-me os sentidos, não quero ponderar, quero saciar o que paira sobre nós sempre que estamos juntos, sem hesitar, sem considerar o erro.
Repara, disseste 'nunca foste, não és, e nunca me serás indiferente'. Mas de que servem as palavras agora? Não as podemos cumprir, apenas servem para desapertar nós na garganta que sentimos sempre que nos olhamos. É pecado? Eu considero. E tu também, mas não queres pensar assim, porque queres-me ter durante mais tempo.
Não posso esperar por ti nem vou fazê-lo, mas, já sabes que, independemente de tudo, não há nada no mundo que possas fazer (e sei que já tentaste de várias formas) para me poderes eliminar da tua cabeça. Por isso vive comigo que eu não te olho mais, e segue o que tens a fazer. Não há problema, porque é a maneira mais correcta que tens de gostar de mim e de não deixares de gostar de ti próprio.

Wednesday, May 20, 2009

Jogo mental

«Não feches os olhos», penso para mim. Se fechar os olhos, a tentação tolda-me os sentidos e revivo todos os beijos que me deste. Basta pestanejar para te sentir aqui comigo, o teu cheiro, o teu toque, tudo tão presente em mim. Mas faça o que fizer, estás por perto, e a fortaleza que construí para não me invadires, está apenas a um pensamento de distância para ser corrompida.
Nada destrói este jogo mental, os dados estão viciados e as personagens não mudam. Daí que te tornes uma obcessão, «hoje és inatingível, mas amanhã talvez não», mentalizo. E a situação é infindável até eu encontrar um final feliz, que me console num sorriso. Hoje é apenas mais um dia de batalha, como foram muitos outros, «mas este é diferente, tu desejas-me aos poucos». Então, contrario o desejo?! Nunca, se ele me faz feliz!!
Então pinto o passado com as cores do presente, «mas assim estou a distorcê-los e o passado não mente», apercebo-me. Mas não. Estou apenas a conjugar tempos verbais em conjunto. Eu sei, eu sei distingui-los. Apenas aprecio saborear o passado porque já não me magoa e porque é bom reconstruir boas memórias como estas, tão desejáveis e invejáveis, para as sentir, adorar e entranhar.

Wednesday, March 25, 2009

Posso. (?!)

Devo ignorar a química entre nós? Será que posso? Deixas-me? Não sei qual de nós torce mais para ser real, qual de nós torce mais para não existir.
Ainda hoje me lembro daquele abraçar de lábios tão efémero e fugaz, tão apertado e repentino; involuntário. Aquele fechar de olhos tão forçado e, sem nos apercebermos, não desejado. Aquela junção de bocas lábis, doces ; aquele beijar tão academico -quase que mecanizado- tão pensado e já aperfeiçoado. Naquela altura, lembro-me, realizei que estava liberta do teu feitiço, solta das tuas vis e fortes amarras, pois nada senti através do beijo. Baloicei as flores e rodei as saias, mas em vão: jamais estarei livre do teu comando, nem nunca estive tão pouco. Talvez aquele entrançar de línguas fosse sentido e amado, talvez fosse um deleite não planeado. E agora e todas as vezes que voltas a mim, ao meu ombro, colo e boca, sei que está destinado, e que todos os braços a que eu recorra e para os quais eu corra, nenhuns farão o encaixe perfeito e genuíno que nós conseguiamos, nenhuns me confortarão como tu confortavas, nenhuns me enterneciam como só tu sabes.
E agora sei, que toda e qualquer mão que me toque, não verá a silhueta e os contornos do meu corpo, não será experiente nesta viagem anatómica, pois só as tuas mãos são donas de mim e só elas imperam prepotentemente o meu corpo.

Tuesday, March 10, 2009

Equilibrio

-Olha as núvens ! Movem-se rápido e camuflam-se a meio da corrida. São batoteiras, se eu fosse árbitro elas eram penalizadas.
- Então… e porquê?
- Achas justo que umas sejam dragões e outras pequenos passarinhos?
- E não é assim a lei da vida? Uns mais fortes e outros mais fracos?
- Somos meras crianças, a vida para nós leva um rumo mais idealista. Eu mal sei o que é a vida, quanto mais uma lei da vida! Quem criou as leis da vida…? Hm, Não sei. Mas seja quem for que as tenha criado, deu-me uma ideia.
- Qual?
- Que também sou livre de as criar. As leis são uma aplicação da justiça, e quem cumpre uma lei da vida e é injustiçado não sei o que tem na cabeça. Somos livres, porque não as contrariar?
- Tens razão, não tinha pensado nisso. Mas então como fazemos uma lei? Ou melhor, como fazemos com que a lei que criámos seja aplicada no dia-a-dia?
-Ora, mas eu não sou uma enciclopédia, muito menos o génio da lâmpada. Como hei-de saber? Só pensando…e muito! E para isso preciso de tempo…muito!
- Nesse caso, podemos ir começando por tornar as coisas mais justas na àrea mais próxima de nós… aplicar as leis nas pessoas que nos rodeiam! E vamos crescendo, e vamos tentando. Nunca te separes de mim e então encontraremos uma solução juntas. Para além do mais, equilibramo-nos uma à outra: umas vezes, és tu o dragão – salta-te a tampa e ficas fula, és protectora e mandona; outras sou eu. E quando eu sou o dragão, tu és o passarinho – ages mais subtilmente mas consegues, também como o dragão, muito do que queres; és encantadora e prestável. No entanto, o dragão pode parecer mau, mas não é verdade. A junção dos dois animais faz um equilíbrio perfeito, uma dupla quase que imbatível. Quem sabe, poderemos um dia, mudar o mundo e torná-lo nosso. É o nosso mundo.

Tuesday, February 24, 2009

M - mulher

Carrega no batôm, calça esses saltos, balança a cintura e cruza as pernas ao andar.  Marca o teu olhar  e diferencia o teu andar, evidencia a tua sensualidade. 
És uma mulher, tens o dever de provocar e, se quiseres, depois rejeitar.

Saturday, January 24, 2009

Vive!

Deita fora as palavras, atira-as a um rio. Hoje ele vai precisar mais delas do que nós. Não sussurres, não verbalizes nada. Da tua boca liberta apenas suaves suspiros. Vem para mim, sente só. Que teu coração bata como nunca bateu, que tua respiração ofegue como nunca ofegou. Vive agora, intensifica as tuas acções, os teus sentimentos, mas não as tuas palavras. Já as proferiste, já chegaram a mim, agora esquece-as. Cai comigo numa falésia de emoções, sobe comigo às núvens. Saboreia os momentos lentamente, e revive-os se for preciso. Aprecia o vento a cada momento, imagina-me nele, e envolta em ti. Deixa o prazer palpitar nas tuas veias e fecha os olhos para o manteres.
Hoje esquece as palavras, e experimenta sentires só, apurares os teus sentidos. Hoje terás uma nova perspectiva do amor.